Teorias

A aprendizagem na era tecnológica: Part I

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Entre Teorias e Máquinas

Inatismo, Empirismo e Construtivismo

Claro que essas não são as únicas concepções, mas são as que, historicamente, dão a base teórica para a construção de novas ideas, e dizem muita coisa sobre como concebemos a aprendizagem. Enquanto o inatismo vê o sujeito como ser capaz de aprender, ou seja, a aprendizagem depende totalmente do sujeito, o empirismo vê esse aprender como algo externo ao sujeito. Se por um lado o sujeito não aprende, porque não é capaz, do outro acredita-se que basta ter quantidade de estimulo, reforço e treino adequado a necessidade de cada um para se aprender.

Em contrapartida, novos estudos mostraram que o sujeito ativo é capaz de construir o conhecimento e desenvolver-se e, as necessidades de atuação no mundo mudaram drasticamente ao longo da história. A experiência com o objeto de estudo é importante, mas essa experiência tem que ser rica em significado, intencionalidade e interação. No empirismo de Skinner, sua principal premissa era evitar o erro, induzindo ao acerto, consequentemente a memorização do resultado. Mas isso não significava que o sujeito entendia o porque do seu erro. Simplesmente, aprendia que a reposta x era a correta sem saber o porquê.

A  máquina de ensinar

Será que o computador, como o conhecemos, tem alguma semelhança com a máquina de aprender de Skinner? O computador não, mas algumas atividades propostas por nós, sim! E não importa se a atividade é análogica ou digital, a forma que se concebe a aprendizagem é como Skinner a concebia. Muita vezes dizemos que não somos tecnicistas, mas continuamos utilizando atividades e olhando para os alunos a partir dessa ótica. Então, é importante conhecer essas concepções para avaliarmos as nossas ações pedagógicas.

Note que, o que a máquina de Skinner propõe ensinar é limitado a gramática, aritmética e informação. Para uma época em que o professor tinha, e ainda tem, que ensinar conteúdos a muitos e de uma vez só, sem condições reais de dar conta de todo mundo, estratégias como essa reinam como solução coerente e absoluta. Porém antes da era digital era através de testes de papel padronizados para acompanhar a aprendizagem.

Essa máquina deveria ser chamada de máquina de testar!

Uma pergunta interessante no vídeo é “Quem prepara o material usado pela máquina para ensinar?”, ou ainda, “E de que forma esse material é diferente dos livros-texto, da aula ou da tv educativa?”

De que forma essa visão impacta o sistema de ensino?

As máquinas de ensinar do Skinner nunca chegaram por aqui por uma questão econômica, acredito eu. Muito mais econômico, utilizar os exercicios, quadro e testes para fazer o monitoramento e controle do processo de ensino… ou seria de aprendizagem? Via de regra nenhum e nem outro. Se fosse para checar o ensino, o resultado daria subsídios para a escola refletir e propor novas formas de ensinar, mas na realidade a concepção inatista, bem presente também na nossa sociedade, acredita que a forma de ensinar está correta, e se o sujeito não aprende é porque não tem a capacidade para tal, ou seja, o problema está no sujeito.

Conhecimento: sistematizado, personalizado e feedback instantâneo

Com a perspectiva de que a aprendizagem ocorre de forma gradativa, a partir de conteúdos cuidadosamente sistematizados, em que os alunos possam aprender no seu próprio ritmo e recebendo feedback instantâneo, prevalece nos diferentes âmbitos educacionais. Em contrapartida, o construtivismo de Piaget subsidiou o desenvolvimento de novas soluções educacionais que partem de uma perspectiva bem diferente.

Conhecimento: construido, personalizado e feedback instantâneo

Diferentemente de Skinner, a máquina de aprender das crianças, como Papert idealizou, oportuniza espaço para experimentação, erro, hipótese, analise, discussão sobre o erro, colaboração, desenvolvimento, tomada de decisões, criação, etc…O feedback também é instantâneo, visto que ao implementar uma ação, as crianças têm a oportunidade de checar se as SUAS hipóteses se confirmam e se o objetivo é alcançado. Caso o resultado seja diferente do esperado, nova oportunidade para discutir e novas ações são implementadas. É nesse vai e vem, permeado de intenções e diálogos, que a aprendizagem de fato ocorre. Para cada um, no seu tempo.